... é que às vezes ainda sinto aquele gosto de sabão no seu açúcar
é que às vezes vejo aquele mar fértil em peixes e vazio d'água salgada
é que ainda ouço as músicas daquela madrugada e sinto a luz apagada
é que às vezes eu ainda...
Quando o 'não mais' chegar eu vou te ligar e dizer que o nosso sol apagou-se em tempestade e já brilha em outro peito sem medo nem amarras
Nos cabelos, o doce do xampu atrai as borboletas, mas as moscas não se privam desse sabor
O ano finda, e aquele de planos perfeitos encerra-se melhor do que se esperava, um brinde àquela meia-noite que preferimos caminhar a mãos separadas
LITA SAHUN 08
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Impotente
Malditas são as crises d'o que será que eu tô fazendo?'
Persigo a cabeça do Nelson perdendo as peças do quebra-cabeça. Me perco. Apagam-se minhas luzes. Ninguém poderá analisar, nem jamais decifrar, o poema que é a mente humana. Está na hora da homeopatia! O que haverá de ser? Quais das inúmeras hipóteses da minha ignorância? O questionamento me faz viva e por isso vou morrendo. Cliques e flôres e aplausos... maldita vaidade do ator. Fotografia. EGO! Às vezes me sinto uma merda. Eee Muita Meeeerda! Perfura-se uma menina de 16 anos, sangue. Infinitamente IMpotente jamais alcançarás a dor de tamanho desespero. Jamais! Foda-se o real! Gosto mesmo é de TEATRO, por ele chuparia o fígado inteiro, o útero inteiro.Repudio tanto o superficial e me sinto como tal. Faca cravada na existência do artista. Quantos elogios! Junto uma flor pra cada palavra daquela, mas elas trazem espinhos. Presente de Deus? Não, presente do Diabo! Que Dionísio me perdoe os equívocos no seu espaço.
* para Chico Sampaio, que me deu a mão naquele sábado de dúvidas
O nome dela
No momento o nome dela é ensaio
No final do ensaio o nome dela é carona
Durante a carona coleciona pontos de referência móveis
Por que será?
É porque ela gosta de outdoors com feijão e balas valda...
É porque ela gosta das cores do arco-íris, mesmo tão cansada
E é porque ela gosta de teatro, que é tão móvel e tão ponto de... nada?
Não! o Teatro é todo... o ponto de referência.
* Para a Michelle que me dirigiu a alma em cena e o corpo na volta pra casa durante o processo de PERDOA-ME POR ME TRAÍRES. Que 2009 nos seja tão fértil ou mais.
No final do ensaio o nome dela é carona
Durante a carona coleciona pontos de referência móveis
Por que será?
É porque ela gosta de outdoors com feijão e balas valda...
É porque ela gosta das cores do arco-íris, mesmo tão cansada
E é porque ela gosta de teatro, que é tão móvel e tão ponto de... nada?
Não! o Teatro é todo... o ponto de referência.
* Para a Michelle que me dirigiu a alma em cena e o corpo na volta pra casa durante o processo de PERDOA-ME POR ME TRAÍRES. Que 2009 nos seja tão fértil ou mais.
Um mar inteiro
Pedaço do mar?
Tu é um mar inteiro
Um oceano!
Um pacífico, um atlântico!
Uma sereia... hipnose do cantar.
Um monstro marinho que urra no mar.
Salve Yemanjá!
* pro meu amigo e parceiro sempre Rodrigo Abreu
Tu é um mar inteiro
Um oceano!
Um pacífico, um atlântico!
Uma sereia... hipnose do cantar.
Um monstro marinho que urra no mar.
Salve Yemanjá!
* pro meu amigo e parceiro sempre Rodrigo Abreu
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A.
Como as amoras e os morangos, o que tem de doce, tem de ácido.
O amor é o espelho de quem sente.
Lindo! Como o bicos das águias, é lindo... mas cresce na direção assassina de sí mesmo. Mata-te se não quebrado em desapego do belo, lá no alto inóspito da montanha.
É como soltar a fumaça nas cinzas e olhar que elas avermelham-se em brasa, crescem e te perturbam quanto ao lugar onde devem cair.
É como os santos que quebram-se na região da nuca quando jogados ao chão. E é pra debaixo dos tapetes que rolarão as cabeças em confusão.
É como os mais belos cristais, que são pontiagudos e donos da luz que te cega a visão.
É como a dor na fome que se perde ou nem se ganha
E te persegue no suor da mão e no não saber onde escondê-las em tremedeira
E, maldito invasor, se reflete na cor do vinho que se toma a meia noite daquele lugar onde a entrada nem era tão franca como se acredita, ou de qualquer outro lugar do céu ou inferno
É no movimento dos cabelos de quem monta no couro e agarra-se à crina, que ele está
É na tensa gargalhada em horas das que não existem, lá ele estará
No movimento de arrancar as botas a quatro mãos, ainda assim o encontrará
Enquanto (não se revela o tamanho da entrega) é o nome do tempo feliz que ainda se tem antes da solidão ou do abandono porque ele, que é espelho de quem sente, se alimenta da dúvida.
O amor é o espelho de quem sente.
Lindo! Como o bicos das águias, é lindo... mas cresce na direção assassina de sí mesmo. Mata-te se não quebrado em desapego do belo, lá no alto inóspito da montanha.
É como soltar a fumaça nas cinzas e olhar que elas avermelham-se em brasa, crescem e te perturbam quanto ao lugar onde devem cair.
É como os santos que quebram-se na região da nuca quando jogados ao chão. E é pra debaixo dos tapetes que rolarão as cabeças em confusão.
É como os mais belos cristais, que são pontiagudos e donos da luz que te cega a visão.
É como a dor na fome que se perde ou nem se ganha
E te persegue no suor da mão e no não saber onde escondê-las em tremedeira
E, maldito invasor, se reflete na cor do vinho que se toma a meia noite daquele lugar onde a entrada nem era tão franca como se acredita, ou de qualquer outro lugar do céu ou inferno
É no movimento dos cabelos de quem monta no couro e agarra-se à crina, que ele está
É na tensa gargalhada em horas das que não existem, lá ele estará
No movimento de arrancar as botas a quatro mãos, ainda assim o encontrará
Enquanto (não se revela o tamanho da entrega) é o nome do tempo feliz que ainda se tem antes da solidão ou do abandono porque ele, que é espelho de quem sente, se alimenta da dúvida.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
apaga a Luz
Te amo sem nem sentir
Te fechei na página errada
Data inadequada
Irreprimível medo de não dizer nada
Apaga a luz...
porque te amo a cada piscar de olhos
a cada gemido mal dado
a cada lágrima interna
a cada beijo abafado
Eu te amo no passado encerrado
no eterno inacabado
Te fechei na página errada
Data inadequada
Irreprimível medo de não dizer nada
Apaga a luz...
porque te amo a cada piscar de olhos
a cada gemido mal dado
a cada lágrima interna
a cada beijo abafado
Eu te amo no passado encerrado
no eterno inacabado
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Um monólogo de amor
A minha melhor companhia
Não, não tenta entender... Eu também não sei o porquê de eu estar aqui, assim... de pijama e capacete, a uma hora dessas. Acho que foi a lua me trouxe... rs
Eu não tava bem, Júlia. Não conseguia dormir. Meu apartamento parecia ter aumentado de tamanho, senti um vazio... acho que era dentro de mim. Eu tava andando de um lado pro outro... até acendi um cigarro... daqueles que você deixou lá...
A lua. Você viu a lua? (pausa) Claro que você viu a lua, as mulheres sempre vêem a lua... Quando eu cheguei na janela, Júlia, e vi aquela lua eu entendi tudo.
O que eu quero dizer é que... eu não quero mais olhar a lua... se você não tiver do meu lado...
Não, não... eu não quero apressar as coisas... eu não quero que você pense que... eu não quero forçar nada...
Mas, Júlia, o que eu queria te dizer é que... você tem sido a minha melhor companhia nessas últimas semanas e... eu não podia esperar até amanhã pra te dizer isso.Por isso subi na moto daquele jeito, passei direto por todos os sinais vermelhos, por pouco não atropelei um entregador de jornal, quase fui mordido por um cachorro quando roubei essa flor, e assustei o seu porteiro que acordou com a buzina... ele deve tá me odiando rs
Na verdade, eu tenho vontade de gritar Júlia, eu tenho vontade de acordar todos os seus vizinhos. Eu tenho vontade de dizer que eu gosto de você, que eu tenho tido vontade de roer as unhas quando eu penso em nós dois, que eu tenho sonhado com você todas as noites e que quando eu acordo a casa toda toda tem o seu cheiro.
Calma? Como que posso ter calma? É difícil, pra mim, falar sobre essas coisas. Acho que eu nunca falei de amor antes...
Amor? Eu falei amor? (pausa) Sim, eu falei amor. Foi por isso que eu vim aqui, foi por isso que a lua me trouxe.
Eu precisava te dizer... que meu corpo inteiro está tomado de amor por você.
Não. Não precisa me dizer nada, eu só espero que você me convide pra entrar e me deixe te amar até o amanhecer.
Lita Sahun
Lita Sahun
* Para o meu irmãozinho, Yves Glen. Que te dê sorte nessa jornada. Te amo!
domingo, 26 de outubro de 2008
do Amor, a deusa
Quando você achava que estava tudo bem, que conseguiria viver sem amar, sem amor, sem doar, sem sofrer... que não teria problemas maiores que os financeiros, que seguiria sua vida sem nunca precisar "discutir a relação" ou "conhecer a família da..." Sim, você. Foi você o sorteado da vez.
O prêmio? ELA. Ela, que é uma mistura de Eva e serpente e maçã, de Mme Bovary e álcool e veneno, de Julieta e segredo e sonífero e punhal. Ela, que te suga, te consome, te enebria, te vicia. Uma droga!
Ela chegou sem fazer nenhum alarde e te fez simplesmente um nada. Um nada no melhor sentido da palavra: um entregue, um "total disponível", um "sem escolha", um carente, um "alegre". Te fez medroso e corajoso. Te mostrou como se rega a rosa do jardim. Te fez babaca e piegas. Te ensinou a amar.
Começou amando. Simples assim. Ela te amou... Te olhava com quem admira, te comia como quem bem degusta. Ela amava sem questionar, sem duvidar, titubear. Ela amava sem jogar. Simplesmente amava, sem reservas ou pudores, sem conceitos ou preconceitos. Ela fazia tudo isso com encanto de sereia (das mais perigosas), de bailarina, de estrela perdida...de atriz... uma deusa!
E aí, você, que está ciente de todos os seus lamentáveis e insuportáveis defeitos, de todas as suas terríveis manias, da tua cara de mané quando sai às seis horas da manhã para ir ao escritório de contabilidade... Você se pergunta: Eu mereço tudo isso? Eu contribuí com algum bom feito pro mundo? Não! Você foi sorteado. Simples assim. E esteja ciente da sua sorte: Isso não acontece com qualquer um.
Ela não tem sexo nem idade. Ah não! É feita de amor... e espontaneidade. Mas atenção: Ela grita, chora, diz o que quer e coisas sem sentido (só pra você, jamais pra ela), magoa-se com facilidade, é impulsiva e... Conclusão: Ela te encanta.
E o cheiro dela? O cheiro dela é daqueles que te arrastam pela mão e te levam. Você? Vai.
Nessa viagem, ela te torna tão tua, ela te faz tão dela que agora você não tem mais saída, já está entregue, já depende do sorriso dela e do ar quente que ela deixa quando passa.
Mas um dia (um desses malditos, de céu cinza e mal humorado. Um dia de trevas), ela some, vira mito (algumas delas nem bilhete deixam). Exatamente, meu caro, Afrodite nem sempre pode ficar. Geralmente esse tipo de anjo está só de passagem. Elas têm a função de propagar o amor. Simples assim. Te ensinam a doar-se, a render-se, a entregar-se. Elas te ensinam a viver.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
tum tum tum
_ Quem era?
_ Não sei.
_ Não sabe?
_ Não. Foi engano...
_ Engano?
_ Sim. Nada do que foi dito era real. Nada do que foi sentido, verdadeiro. miragem de Oásis. Simples impressão. Coisa que dá e passa. Ilusão
_ Mas você ficou mais de um ano nesse telefone.
_ Era engano. Eu me enganava e acreditava. Sorria e chorava. Um ciclo natural (ou sobre-).
_ Não era só uma ligação?
_ Só? Não. Não conheço o pouco. Cavo um poço, dos profundos, a cada nova ligação. Busco diamantes, uivo pra lua sempre que bate meia noite...
_ Devia parar de atender telefones. Pode ser perigoso.
_ Sim. tenho evitado.
_ Não sei.
_ Não sabe?
_ Não. Foi engano...
_ Engano?
_ Sim. Nada do que foi dito era real. Nada do que foi sentido, verdadeiro. miragem de Oásis. Simples impressão. Coisa que dá e passa. Ilusão
_ Mas você ficou mais de um ano nesse telefone.
_ Era engano. Eu me enganava e acreditava. Sorria e chorava. Um ciclo natural (ou sobre-).
_ Não era só uma ligação?
_ Só? Não. Não conheço o pouco. Cavo um poço, dos profundos, a cada nova ligação. Busco diamantes, uivo pra lua sempre que bate meia noite...
_ Devia parar de atender telefones. Pode ser perigoso.
_ Sim. tenho evitado.
sábado, 11 de outubro de 2008
*
Quando minha nuca sentiu que sua presença se fazia, um touro, peito meu a dentro, explodia a cada pulsar de tum tum tum. Quando minhas costas te viram, espinha ereta, sons de maldita abstração cega para o tímpano direito. Poros, cada um deles, atentos nessa coisa de corrente sanguínea na maré cheia que vai e vem e chuá, circula e jorra vermelho. Corpo de poeta que desenha no papel do mundo denunciando cada estado desse de metáforas sentidas, que arrepiam do cotovelo ao nariz. Pupilas que dilatam, lábios entre-abrem-se e incham tamanha quantidade do sangue de maré alta e tensão e tesão e saudade. Nozinho na garganta amarrado pela coisa que só fez decepcionar. Tonteira, febre alta de espasmos de amor. Água gelada e peteleco na tampinha da garrafa!
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