FOTOS DO LANÇAMENTO


Obrigada a todos que compareceram!!!
Momento maravilhoso!!
Feliiiz!!!













Meu livro!


Convite

No dia 12 de janeiro de 2012 estarei lançando meu primeiro livro de contos!

O Evento será no ESPAÇO MULTIFOCO às 18h
(Av. Mem de Sá, 126)

Entrada Gratuita
Te espero lá!



Abóbora


Num mundo de não-saberes e curiosidades, mãozinhas de suado procurar, fios de cabelo molhadinhos na testa, olhos pidões, boquinha treinadora de falares, bochechas tentadoras... Esse é o Samuel, e daí quando deito pertinho essa sou eu. Eu, mergulhada na inocência de filho novinho e amor.

Num universo infinito de infinitas tentativas, pezinhos cambaleantes, pernocas ligeiras e dobrinhas... Esse é o Samuel, e daí quando caminhamos juntos é eterno. E se caímos, nos levantamos, até que se caia novamente e o melhor de tudo é a gargalhada solta desse universo inverso que só existe por causa do amor.

Numa existência de experimentações e palavras onde se acrescenta o colorido além do leite e seus dentinhos, que passa do branco pro preto e seus feijões, esse é o Samuel. Samuel, boca de espinafre e sorriso de criança, cara suja e expressiva para cada gosto diferente. E essa sou eu, achando graça hoje dessa bagunça toda e amanhã já não rindo de tanta graça. Ai ai, haja abóbora para tanto amor.



SAMUEL

abril/11

Enquanto cuido do pequeno, sinto, como vindas de um passado próximo, as marcas desse cuidado numa memória inconsciente.
Reconheço minhas mãos como sabedoras, essas sim conscientes e convictas, daquela função e que essa me foi recorrente algo como uma rotina, tal qual fazendo-se liberta de qualquer julgamento seja de enfado ou alegria. Somente é. Permanente. No avançar da corrente sanguínea. Supondo-se alma possuidora de rio nesse colorido.
Me indago se tal inclinação - sim, a sensação primária dessa experiência mostra-se-me como inclinação algo positiva - seria orgânica, instintiva, passional... espiritual.
Pergunto-me ainda, em busca de elucidação, se esse sopro de saberes práticos me está sendo oferecido agora, num formato de retorno, por uma época logo ali atrás  nessa linha circular do tempo ou tão mais atrás lá n'outro plano que já não se sabe o tamanho e nem se é quadrado o formato.
Quando seguro pelas mãozinhas o pequeno - ainda pequeno e já tão grande - sabendo-se assim de pé, olha o mundo por diversa perspectiva e em meio a tanta novidade já reconhece que é divertido dobrar o joelho caindo de bumbum e gargalhadas.
Numa confusão de emoções, vindas em ondas ritmadas porém represadas na barragem do peito aberto do meu coração, sigo redescobrindo algo que, se ainda não vivi, vivo agora novamente.
          

para depois

Saíra por aí, no caminho de sempre, se perguntando o que poderia haver de tão magno na parte interna do guarda-roupa. Quanto deslumbre encontrara Albertinho lá dentro! e de lá não mais saíra, exceto quando sentia o cheirinho da torta trazida por aquela moça de maçã.
-Albertinho, o mundo é tão grande, albertinho.
-Coma Albertinho, meu filho, coma.
Saíra então se perguntando como seria a vida lá onde o sol nem nasce e pensara até em compartilhar com ele desse armário de mogno, dessa vida magna. Causava-lhe enjôo quando pensava em partir assim, com repentinamento, pra dentro de sí.
-Ai esse cheiro de madeira!
Estava gorda, pouco atraente, olhos mais pretos que antes, brilho-pitanga.
Estava gorda!
Caminhava com dificuldade tamanha a obesidade mental que crescia a cada esquina do bairro e depois do outro e assim por diante.
- Que peitão, moça!
- Você está me avisando de algo que já sei? - Gritou irritada
Parara de comer há 15 dias numa estranha letargia. Uma parte de si catatonizava-se ao lado do mundo misterioso de mogno e outra vagava por compras no mercado e pagamentos em dia na lotérica do bairro. Acordara do coma em plena farmácia, levava nas mãos sete caixas de vitamina C efervecente e na cabeça, sete pontos de interrogação fervorosos.
- Não tem jeito! Quando o banheiro fica no alto é porque a casa alaga com qualquer chuvinha - dizia a mulher da esquerda, não menos gorda para a mulher da direita que olhava os seus sete pontos efervecentes - Família grande?
- Não, eu somente e meu filho que vive no armário - disse ela antes de arrepender-se.
- Nesse tempo de gripe não é bom bobiar, não é?
Prevenida! Nunca fora prevenida antes. Quase deixou lá as caixas de cor laranja, mas pagou depressa e voltava para casa onde encontaria na porta o aviso de sempre : seja feliz! Quase lá, porém, deparara-se com um homem que recolhia o lixo. Ele cheirava a lavanda e perguntava por Albertinho.
Que inusitado! Não se recordava de tê-lo visto em nenhuma passagem de sua vida. Vida?
- Albetinho continua na mesma.
- Você deveria abrir a porta de mogno para ver se ele ainda está por lá.
- Está sim. Hoje teve torta de maçã. Ele comeu tudo! Você está pálido, leva essa caixa de vitamina C. Nesses tempos de gripe...
- A casa da frente está vazia, abandonada. Ninguém mais mora lá.
- Estranho! Sinto o cheiro das macieiras.
- É melhor abrir a porta.
Abrira! Albertinho chorava, lá na parte de cima do armário. Ele sempre variava entre as laterais e o teto. Albertinho não gostava dessa rotina, por isso chutava.
Sete anos fazia e sempre que abria sentia o mesmo arrepio cortante da curetagem.
- Albertinho, meu filho, não passe tanto tempo aí, que o mundo é grande e você precisa ver quanto mar, quanta terra fertil e quantos homens bons. O mundo é uma maravilha só!
A panela começava a fazer o barulhinho. Era a pressão. Hoje terá feijão, pensava.
Pensava, pensava no presente e se arrastava até o passado como se fosse fácil e não doesse. Lembrou-se daquele menino que conhecera na escola e não vira crescer. Preferira não ver. Ele que sabia que a realidade era muito maior mas continuava num sonho platônico onde tudo era menos tenso, mais cor-de-rosa. Ele quis tanto e tanto levar adiante o que era real, por simples responsabilidade ou medo da solidão forçada. Mas ela recusara suas mãos suadas por questões de devaneio e porque sabia, mais que ninguém, que os sonhos são realmente muito melhores de se viver e que ela, nada mais era e sempre seria, o simples cotidiano.
Pensava, pensava no futuro. Passava por perto e por dentro dessa mente confusa que insistia em carregar nessa boléia de um caminhão pesado e suas sirenes perturbadoras.
Alguém dizia: - Mulher, o cotidiano é genial, é o todo e abrange tudo.
Mas não quisera ouvir nada mais além da palavra mulher. Mulher!
- Quem fala?
- Sou eu! Olha pra mim, nos conhecemos ontem, na fila da lotérica. lembra-se? Bom dia!
- Bom dia!
- Seus olhos olhos ficam mais claros pela manhã. Consegue me ver?
Não conseguia! Olhos e foco eram coisas que já não se encontravam. Olhos claros?
- Sim! Você sabia?
Não sabia. Pediu, mais mulher do que sempre, que o homem se retirasse. Ouvia grunidos no armário e o feijão ainda estava no fogo.
Ele saiu. Na porta, o homem cumprimentou o lixeiro que alí se encontrava estranhamente como no dia anterior, que foi quando chegara junto à mulher.
Mulher!Tentou lembrar o que havia acontecido enquanto esperava que efevervecesse a grande bola de fogo que cabia no copo e chamava-se comprimido efervecente. Mediu a temperatura e lembrou de tudo, inclusive do que gostaria de esquecer.
- Senhora?
- Oi  meu filho _ sentia-se particularmente velha nesse dia _ muito trabalho?
- Um pouco! E esse cheiro... Sinto que me impreguina.
- Gostaria de entrar para lavar as mãos?
- Eu?
-Sim, venha logo, preciso ver o feijão.
Mãos já lavadas.
- Seus olhos estão mais claros essa manhã.
- ?
- Conheço aquele homem que daqui saíra ainda pouco.
- Que homem?_ Já não lembrava de nada e percebera que nunca fizera feijão antes e a panela havia inexplicavelmete sumido na pressão.
- Ele é um jogador. É necessário que tenha cuidado com os estranhos.
- Suas mãos já estão lavadas, deixa que o resto por aqui eu mesmo lavo. Agora sai que eu preciso temperar o feijão.
O homem voltava arrependido para o lixo. Perdera a única chance que pudera ter em tantos anos de dizer-lhe que amava as loucas. O que restava era limpar-lhes as ruas.
A mulher já não tão velha deitou; que quando olhava o teto conseguia reorganizar idéias desordenadas. Pensava no armário de si como essa moradia magna, pensava no lixo que cheirava a amor, pensava no jogador que conhecera na lotérica enquanto jogava capitais na vida e pensou com fome no feijão que jaz na pressão. Como tudo pode ser tão confuso aqui por dentro de mim? Como pode ser esquecimento o nome da lembrança? Listou tudo o que deveria dar tempo pra pensar e guardou para depois.

Mãe

Na espera pelo porvir,

Despenco em barriga.

E no fim do dia...

Desavisada do mundo, em dádiva

... Adormeço e padeço

Do tempo,

Do ciclo,
Sabendo-me assim

Toda a intuição


consequência

Quando a tempestade chegou e no tempo em que ela se sustentou, olhaste da janela e denominaste desastre toda aquela torrente.

Quando a tempestade chegou e no tempo em que se instalou, consideraste catástrofe o que via a frente.

Cada árvore arrancada, quanta flor machucada, quanto vento perdido te atordoava.

Quanta água sobrava no rio que transbordava e quanta plantação perdida, quanta casa molhada.

Numa revolta que sangrava seus punhos na janela, que ensurdecia seus ouvidos na água não previa a cor do límpido que chegava.

Na luz que o sol mandava, conseguiste vislumbrar arrependida numa manhã de virada, a esperança de renovação que o céu mandava.

E o movimento circular da natureza ensinava paciente e sem afetação que a conseqüência, e só ela, pode desvendar a verdadeira lavagem. O que vias desastre, agora entendes somente como reajuste.

Manifesto de uma arte sem razão

Sinto que uma força absoluta e, desde sempre, inexplicável que havia em mim e me fazia por assim existir... morreu.


Pronuncio-me, porquanto ainda respiro mesmo em formato de putrefação, no intuito de resgatar-me em entendimento e iluminar-me da dúvida, ela que me fazia, em parte, perdurar.


Comunico a todos então o meu quase, já que ainda encontro voz em mim, falecimento para que me ajudem os que ainda possuem a lucidez da ideologia.


Cá estou! em pura redenção trazendo em mim a simples necessidade de expressão e a questão que não me cala é se devo pelejar e persistir sem desvio, por ingênua paz de espírito ou por perturbação.


Por que motivo hei de existir, lacrado em fôrma artística quadrada, estando assim em nome de escrito vasculhador, caçador de razão?


Repito, por arte que sou e pelo respeito que me ocultas, a indagação jogando-a ao vento nessa permissão que vocifera, punho em tocha acesa, malogrando-me pelo espectro agonizante da ideologia: A que vim?


Protesto, papel branco que sou, contra toda e qualquer futilidade que me faz viva por ela e pra ela. Não, irmão, não me conformo com o conformismo de não fazer sofrer o meu ouvinte a mesma dor de quem sofre por não ter voz. Eu, sagrado e sacramentado pela história, deveria ser sua voz, no entanto amordaçam-me quando se perde o meu significado ou ocultam-me a minha fidedigna razão de existir.


Pergunto como se nunca o tivesse feito: Qual o meu signo de hoje, uma data que marca, insistentemente, meu fim?


Não me aponte essa nota, não me escravize pelo cifrão, irmão, peço-te com a sabedoria de ente ancestral, pois já nascia e morria antes que pudesse o homem manejar essa televisão que não interroga enquanto energiza e emana a bagatela.


Que faço se o teatro, um de meus braços e abraços mais expressivos, enquanto polvo que me tornei no mar do universo, já não se encontra mais por entre patrocínios e editais, por entre umbigos siliconados e fotografias?


Que faço se a música, minha mão mais acolhedora e embriagante, enquanto corpo que dança e aplaude que sou, já não chora quando nasce, morrendo cedo pois sem vida já está?


Quantos óculos precisam, homens, para que lhe caiam as vendas?


Denuncio que me estão falsificando. Sim, falsificam-me numa luxúria de conceber-me por prazeres vãos sem questionamento ou sem razão na espera gananciosa do meu mais cruel desamor: a vaidade


Que arte sou eu? Ora, mas que idéia oca me tornei, pouco explanada de um rio sem azul, de um ar sem pureza, de um comércio forçado, de um vendaval que não prevê a escassez futura.


Nesse feitio sigo a interrogar o homem se não é hora de mudar o centro de seu universo, já tendo sido Deus naquele formato tão inacessível, já tendo sido o próprio homem naquele formato de razão egoísta, para essa morada redonda que batalha por ser compreendida como continuidade de seu próprio corpo e então toda filosofia, minha irmã que apelido pergunta, junto a mim gritaria por verdade. Já não é hora?

uma bulimia inteira e nervosa

Nessa praia desestruturada, como se pedaços de mim fossem caindo, baleados, atirados ao chão sem previsão de data, de reforma. Pedaços de estrelas jogados ao mar sem me esperar. Espera! Não vai ainda, preciso te contar um segredo antes que o sol nasça... é que meu liquidificador já não suporta mais esse trabalho diário que é árduo. Ele pia e seu pranto causa esse terremoto dentro de mim e o número de mortos torna-se cada vez menos calculável, mais indecifrável, tão impenetrável...


Ah...pudesse eu parar de melodramar em forma de pensamento, se eu pudesse pensar de parar para não pensar o pensamento.

Era só... Eu queria te dizer, que eu poderia ser passarinho. “Pois é, virei passarinho, e como meu currículo é bom eu fui promovida a não pensar e agora vivo assim voando e agora meus equívocos são outros e agora as tempestades têm outro cheiro e agora eu não sinto mais essas coisas que ainda sinto. Eu sou feliz assim passarinho”

Espera! Não vai embora ainda, é eu que tinha uma considerável porção de coisas pra vomitar que não me lembro e ela pesa nas mãos e escorrem pelos dedos e braços e eu não consigo controlar essa densidade. Não me deixa aqui assim ao pé do altar com essas flores e uma esperança jaz que viaja pro caribe.

Sonho. Pai, fecha a porta do carro pra ninguém ouvir, hoje eu sei que era uma chantagem covarde. Se fosse uma chantagem honesta, você tinha ido... Você não foi e eu nem precisei dizer nada, pai, pai, pai, api, pia, aipim. Sempre te encontro por aí pelos becos e sua forma varia conforme os dias da semana, e hoje, que fui baleada por notícias de tiros não poderia deixar de lembrar-me de você. Hoje chegou frente-fria e eu sempre me lembro de você quando neva. Acordo.

Espera, não fica aí assim de olhos fechados, eu só queria te dizer que também vou embora... é, não vou ficar aqui não, não preciso mais desse planeta. Preparação. Aprendendo a perdoar meus próprios erros. Vou-me embora assim que comprar a chantagem. Eu vou. Você está pensando que eu vou ficar aqui assim sem puxar a cordinha?

Ué estranho... de repente... estar aqui é tão bom... acho que vou ficar mais um pouco nesse sonho então... Ou você quer me acordar? Se você quiser me levar, eu vou... já entendo das coisas... se a idéia certa for tão importante quanto a prática das coisas, já estou preparada. Eu já ia fazer, juro, só não comecei ainda... por pura covardia. Acorda, não fica aí tão viajante, não me deixa professor... eu só queria ensinar também...

Eu amo você, menina, eu amo você, menina. Não vá embora, vou morrer de saudade, você é algo assim, é tudo pra mim essa maldita música em forma de declaração, como se as pessoas fossem insubstituíveis. As pessoas são substituíveis, menina! Você é tão bobinha...

Espera! Não vai ainda, o Caio precisa falar com você, antes que esse ônibus parta e a rapariga do Veríssimo morra de saudade do dia vinte e sete que nem vai acontecer, era quando o casamento se faria todo branco na capela da praça e flores, se você não tivesse entrado no navio das sombras. Volta! Ouça a minha voz! Leva-me pro Tahiti ou pra Santos pela estrada a fora, eu vou tão sozinha.

Não vai ainda não vai ainda e a sua partida me faz tão triste que me faz pequeruxa que me traz essa falta de esperança e essa falta de memória em falta, que me lembra como tudo é assim tão estranho... e tudo falta.

Achei tão bonito quando alguém me disse que amor não tem medida, não tem métrica, não tem fim, não tem começo, não tem tempo, não tem tamanho. Que é um só, que é de todo mundo. Achei tão bonito, eu não sabia disso, eu só queria pegar o amor na mão e no corpo todo e me banhar dele, mas não dá por que é sublime.

Eu achava que era carnal, eu queria comer. Na guerra não dá pra amar, por isso não te demores aí. E o amor invade. Até nos campos de concentra-lemanh-ação ele podia entrar.

Estranho... Ando me encontrado por aí. Cabelos meio cinzas do tempo, olhos sobreviventes e envelhecidos, magreza de absoluta eternidade. Ando me encontrando por aí pelo tempo de ontem, de depois de amanhã numa dialética completa e firme de um olá atrasado e encimado, num pierrot apaixonado que grita de dor e reflete no brilho do olhar essa imagem... por aí, pelas ladeiras e mesas de bar, copo sempre gelado e dum amarelo enegrecido, quase da preta, desce mais uma que hoje eu to pra negócio.

Vicente

Me parece que vai sair dessa...
Assim sem abalo.
O que se pensa depois de 12?
Me assusta esse plano, essa fase evolutiva
Estamos todos misturados
Uns que já e outros que nem tanto
Mistura estranha, coisa de escola
Que didática usar? A do amor?
Que fazer com o ódio que foi inventado?
Amor
Um artista e professor que cede e mostra como se faz
Sigamos juntos na escola da vida

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Sentado ao trono
engraxando sapatos
no dedo mínimo, o anel dourado
apontando para o alto
o cigarro mais acesso que o esperado
O terno bem alinhado
óculos espelhado
o cabelo grisalho
um corte algo de moderno
Ainda tentei avisar...
O sorriso malicioso adiantou-se
junto ao brilho irônico do dente de ouro
Palito pendurado no lábio, lateral
e um moleque em baixo junto à graxa e o pedestal

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Quem é você?
Amo-te assim por ser tão cistinúria
De onde vem?
Nos sabemos amigas?
Que hábito estranho esse de filtrar meu sangue poluído pela modernidade enlatada.
Desordem entre nossos corpos
Pedras em nosso caminho, agulhas em mim
Sou lésbica de ti assim por completa e presa na cama branca de nós duas
Amo-te, amada, por tudo o que me ensinaste, pelo castigo que me concebeste, pela dor que me causaste
Amo-te, amada, por não entender-te, mas querer-te sempre em mim nessa disciplina que me impuseste.
Amo-te por todo esse supositório que me entope
Amo-te por ser crônica e renal
Quem é você? Deus? Resquícios em forma de chibata!
Amo-te sempre que me condena, que me interna...
Amo-te assim, sem diálogo, quando me lidera
Amo-te por odiar-te
Odeio-te por não conhecer-te
Passo então a amar-te em tanto mistério que me intriga
Sou seu ponto de interrogação
És meu ponto final e em ti encontro o passado obsoleto, afogado e desacordado de mim.

Maurício

_ Maurício? _ O estranhamento quase me estagnou _ que bom que você voltou, o cachorro devia mesmo estar sentindo a minha falta.


Quando Maurício me disse decidido que precisava de novos ares, assim como quem resolve ir  à padaria num final de tarde de feriado mesmo sabendo que as padarias não abrem aos feriados; e veio me perguntar, como se houvesse alguma possibilidade de eu dizer não, se poderia levar o cachorro consigo nessa empreitada de ser um homem sozinho porque tem vontade, que mora com um cachorro chamado cachorro...


Quando Maurício veio me dizer que estava mudando-se de nós dois e que ainda levaria cachorro, a parcela terceira de nós três...


Quando Maurício foi embora...


Quando ele se foi, eu me vi num eco, sem latidos, sem blues, sem Maurício...


Quando Maurício foi embora, eu me vi ali, sem nós dois, numa dor que eu diria insuportável, se eu não tivesse suportado; assassina, se eu não tivesse sobrevivido; incomensurável, se eu não tivesse comprado uma fita métrica e uma garrafa de vinho tinto seco.


Quando foi-se, ali ficamos eu e o eco que, antes, não havia; durante, só havia quando feriado-padaria e depois, quando era tudo o que havia. O eco.


Quando Maurício foi embora, lá fora no quintal da casa abriu-se a cratera. O buraco! Tipo o da Rua do Senado. Aquele cheio de caminhos e veias de sangue onde escorrem lágrimas da Gaia machucada. Quando eu saia pro quintal éramos só nós dois no planeta: eu e o buraco . Eu pequenininha, porque o planeta é grande demais, quase do tamanho do buraco.


_ Maurício? O estranhamento quase me estagnou.


Mentira. Não estranhei. Quando Maurício foi embora, não logo, mas depois de um tempo, eu me questionei se ele não deveria ter ido antes. Não pensei isso dando de ombros e despeito ou coisa assim, mas por me dar conta de.


Quando ele foi embora eu me dei conta de que havia mesmo uma ausência dele, uma vontade de não estar ali que nem eu nem cachorro podíamos fingir que não existia, principalmente nos dias de padaria.


Quando Maurício se foi; apesar daquela dor de 'atropelamento quando não aparece ninguém para te salvar porque não há mais ninguém no planeta Terra inteiro somente o eco, ele que dirigia a carreta responsável pelo acidente, ele que não sabe nada de salvamento e mesmo assim não fugiu e ainda está aqui, o eco'; apesar da dor de atropelamento, eu sorri.


Quando Maurício se foi, eu chorei... e sorri. Chorei por ter acreditado, por ter planejado, por ter... em vão. E sorri porque fingir que não sabia daquela ausência-que-existia pesava demais no coração.


_ Maurício? Que bom que você voltou! mas não dá mais pra ficar, não há mais lugar, o cachorro cresceu, não dá mais pra encarar.


Quando Maurício se foi, cachorro já era grande, fato que deixou o espaço ainda maior, mais vazio. Eu sabia que aquele cachorro cresceria mais que aquilo e consequentemente babaria mais e teria o dobro de pêlos. O que acontecia comigo? Eu não gostava de cachorros grandes-peludos-desengonçados-babões. Aliás, baba de cachorro era uma coisa que me fazia quase não gostar de cachorro. O que que acontecia comigo na época? Que tipo de sentimento te faz deixar de ser quem é? Que tipo de relação te faz engolir um cachorro grande e a baba dele tudo-junto?


_ Maurício? Que bom! Cachorro devia  mesmo estar sentindo minha falta, mas não dá mais, eu não gosto de cachorro.


Que baque! Quando Maurício voltou, teve um baque. Eu já não era mais a mesma e a casa já não tinha o mesmo cheiro. As plantas daquele tempo haviam morrido e as novas, florescido.


Quando Maurício voltou, a tv estava ligada e o nome da novela, O retorno. Preferi desligar. Pelo controle-remoto mesmo. Podia ter desligado diretamente na televisão, mas desliguei pelo controle, o que foi meu erro, porque uma luzinha vermelha se fez ligada até que eu olhasse pra ela e pensasse 'que bom que a gente erra'.


Quando Maurício voltou... Ah Maurício quanta tampa faltou pra pouca panela... como você demorou, o tutu acabou e no tacho, só resta o azedume do feijão passado, daqueles que nem se retemperam. Quanta pena...




Quando Maurício voltou, o som estava ligado em Raul, que me dizia 'tente outra vez'. Nem desliguei... tive medo de uma voz gritar 'toca Raul' ou quem sabe 'liga a novela'. Essas coisas de tecnologia e sobrenatural me fazem receiosa.


Quando Mauríco voltou, fiquei pensando, bem ali na situação, naquele aborto. Tinhamos abortado, além de nós mesmos, um bebezinho. Ele era tão... tão... tão bebê. Tão não-nascido ele era. Entrara em mim com vida e saíra com morte. Entrara com futuro e saíra com passado. Entrara com gozo e saíra com sangue.
Tempo, quanto tempo fazia isso... Meses? Décadas? Acho que uma eternidade. E ainda sentíamos o gosto de ferrugem nas bocas, as mesmas que falaram e pontuaram finalmente, entre um beijo ou outro, sobre o aborto do bebê, que morrera sem nascer. Tão pequenino era ainda... hoje um monstro feio e abortado. Feto não-desenvolvido, meu pesadelo...


Quando Maurício voltou, falamos alguma coisa sobre o buraco que capitalistas cavam no útero e no planeta, bem alí perto, na Rua do Senado, em busca de um baú cheinho de dólares verdes e amarelos que brilham no escuro. Falamos ainda do escuro, que nada mais é do que a ausência de luz e mais nada além do silêncio foi dito naquele dia, o dia em que Maurício voltou.



Pisei no tabuleiro.
Só quis jogar um dado e fazer qualquer coisa que não fosse segura ou previsível.
Arrumei a mochila de maneira que não ficasse muito cheia, não esqueci a garrafa d'água e pisei na estrada.
Conheci pessoas que não conheceria, lugares que não veria e sensações que não.
A distância entre o céu e o chão era minha, foi quando bati asas e voei.
Se pensava no sol, ele aparecia. Numa árvore, ela surgia.Numa maçã, eu comia.
Nenuma dúvida mais urgente
do que ficar alguns minutos deitada na grama
 ou mergulhar na água gelada eu tinha.

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É aqui nesse lugar onde não se encontra mais pra onde, nem por onde...
Onde não se vê mais o quê, nem porque
É aqui nesse lugar onde nada além do sono pode me encontrar...
É aqui nesse lugar...
Só porque não se faz mais dia na noite, nem noite no dia.
Só porque não há mais porque.
Não há sol por detrás dessa núvem.
E a lua? Perdeu-se no universo. Jogou-se da Terra e não há mais saída.
É aqui nesse lugar...
Meu corpo tem sido frágil, e faz-se tatuado pela morte. Sou um morcego sem sorte. Sou parte do leite que derrama.
É aqui nesse lugar que me despeço e perdôo cada erro sem perdão.
Me liberto dessa prisão disfarçada em ilusão de mar e solstício.
Entre a a loucura e a sanidade.
Entre o que escrevo e a realidade
Sob o peso da eternidade, me despeço daqui

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Na raiz profunda de um pelo encravado
Na incongruência de sua existência.
Na passagem confusa e interrogativa
Na insistência instintiva de um nascimento
Na fé duvidosa
No filho nefasto
No brilho obscuro
Na dívida externa
No passo infalso
Na tentativa viva
de um pulo intenso
de um salto medroso
de uma hora morta
de um fogueira acesa
na luz da eternidade

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Adoro o modo como você denuncia uma simplicidade que é só sua quando veste essa camiseta branca e me diz olá. Adoro essa sua falta de mistério e, quando fecho os olhos, imagino como faria para me fazer menos minha ou do mundo e mais de alguém ou da lua

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_ Você acredita em amor à primeira vista?
_ Não. Acredito em você.

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Qualquer assunto complexo, por mais complexo que seja, não é mais complexo que uma rosa

Mais do que um merda, um pescador

Eu não queria
que todos fossem como são
enquanto falo
que o que é bom
é o conforto de ser um puto
que curte um som


Eu tenho sonhos
em que jogamos fora
todas as moedas
(do mundo e do tchello)
no chão


Eu me proponho
A ser um merda
O que tem isso de subversão?
Deitar à sombra da árvore
juro, não é agressão



Eu me confronto
entre ser um nada
e entrar pra televisão
Na dúvida me deparo
com o mais divertido do mundo
Que é pescar e assar um cação

O quinto significado de latidude

E se vai
de maneira estranha
Sem lenço nem medida
procurando uma saída
se encontrar
mar e chuva e neblina
que horas são? na minha vida
Qual o tempo certo
de(o) momento existir?
Qual a tua longevidade?
E a razão da tua pergunta coibir?
E qual a tua idade?
Qual a tua terra-Planeta?
E os teus sonhos-Estrela?

Noite melindrosa

A janela, de uma maneira delicada, olha a mulher fechada. Imagina a brisa que poderia vir dela, da mulher.
A janela então segura seus trincos, firme porém carinhosamente, e arranca da mulher qualquer vestígio de estorvo

A janela abre a mulher e debruça nela que a noite já vem.
É bonita de se ver
A mulher aberta
Toda

Devagarzinho abre uma banda da mulher, o lado direito. Sente o vento, É norte ou sul? Não faz caso. O que convém agora é abrir a outra banda.


A janela abre a mulher e debruça nela que a noite já vem.
É bonita de se ver
A mulher aberta
Toda


Abre então o lado esquerdo da mulher, um lado que se faz prudente, sua banda mais pesada, travada, talvez empenada sol a sol. Sente um frio... ai, quanto frio sentiu a janela! Ela debruça... na mulher.


A janela abre a mulher e debruça nela que a noite já vem.
É bonita de se ver
A noite aberta
Toda
e melindrosa.



passarinho

E que passa pelos meu apuros
e que me contrai
me retrai
me sapeca
me liberta
e se vai

FEDOR

Enebria-se meu mundo quando sinto esse cheiro de nuca
porque tudo acelera n'alma
Uma coisa verde e desforme há ainda de Bum! peito a dentro
porozinhos de nada, atentos
pele que arepia ou não
joelhos que misturam-se então
e na janela um cheiro apodrecido de dor
embrulho no estômago
olhos vários sem brilho
e um gozo forçado, urgente
vidrinhos pendurados
quase todos
quadrados
e o fedor

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Quanto mais escrevo,
menos preciso dizer...
e me calo!

Bom dia!

A PARTIR DESSA ADIÇÃO QUE ME SUBTRAIO.
SUBTRAÇÃO DE IDÉIAS E IDEAIS. CONFUSÃO.
BLOQUEIO DO QUE NÃO SOU E ANDO TENTANDO SER DE FORMA EQUIVOCADA E SUPERFICIAL.
EXERCÍCIO DE COMO RETORNAR A SER OU DE COMO NÃO DEIXAR DE.
SENDO.
SENDO SEM IR.
SENDO E MANIFESTANDO-SE ASSIM.
PELO PRAZER DE SER...
E EXISTIR.

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No quando se fez Ser,
despiu-se a personagem
e calou!

VIDA

Eu te amo muito mais, agora que não te quero, do que quando te desejava meu.

Te amo por te entender livre e menos nosso

Te amo por te saber capaz de amar outras flores fora do pequeno jardim de nós dois

Te amo muito mais, agora que não te quero

Te amo muito, agora que não te quero mais

Te quero muito mais agora que não te quero meu

Te quero muito menos e por isso te amo tanto mais

E essa estranha sensação de amor e liberdade faz meu ventre vibrar de uma maneira diferente. Vida.

FELICIDADE

PODE SER QUE EU TENHA
UMA CERTA BIPOLARIDADE
QUE TORNA EXAGERADA
A FELICIDADE.
EU SÓ SEI QUE ESTOU FELIZ.
FELICIDADE
SOU FELIZ.
FELICIDADE
E NÃO QUERO PENSAR NO POLO DO LADO INVERSO
ATÉ QUE PARE
A EMBRIAGUÊS DE ARTE

amorzade

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...


Fernando Pessoa




Ursulão, mulher de áries!
Fogo de abril!
Flôr de cor vermelho - quente
Respondendo às suas questões: Eu tô por aqui, eu tô por aqui. Eu tô bem, eu tô bem, bem, bem.
Você mandou duas mensagens, perguntas que se repetiam, reafirmavam-se. Duplas perguntas de dois. Exagero do carneiro, insistente que só ele.
Como uma boa e fiel ariana respondo muito e várias vezes: Eu tô bem, Eu tô bem. Sinto saudades de você. Sinto saudades de você, de você, de você, de você, Ursulão, mulé tesão



Amigo querido
Sinto saudades da sua voz cantando pra mim... cena difícil.
Triste melancolia
Difícil desapego
Sonhei com ela hoje, a peça, ela que era mulher, que morreu.
'Lita, enche a garrafa pra mim?'
'merda, gata, arrasa!'
Saudade da sua voz
Acho que a Yerma morria junto do João e do Lorca e do ígnea.
Essas coisas de fogo sempre se apagam, entusiasmo.
Eu quero ser água, nascer de novo, água, carne fria, morta.
Fica com Deus, Lita, meu nome.


Amiga mais fenix e brabona que eu tenho! ra-cio-na-li-ga-do-na!
Mulher que quebra o coco, o joelho... continua correndo.
Chega de colecionar bu-ra-co, porra! (Bate na madeira, cara de pau!!rs)
Saudade de tu, da parceria de vida, de trabalho. Que nada! tamu aííí´!!
Como que eu fico puta se tu te preocupa comigo, se eu me preocupo sempre contigo? (A-mi-za-de)
Fica bem que saco cheio pára em pé (vou pensar nisso. pro-me-to)
bj, carne lita quente

Obsessãããããooooooooo
Camille claudel (pura obsessão!!!!!!!!!!)
Vi de novo. Acabei de ver. Quero morrer, quero me rasgar inteira.
Salve Mona lazar. Amo-te e odeio-te
Material:
Nelson Rodrigues (conto Flor de obsessão)
Ovídio ( a arte de amar)
Camille claudel e sua louca paixão por August Rodim
"Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado, mas quando acordo já não é mais a mesma coisa"

Quando você mandou aquela msg corri e me debrucei.
Mas a lua não aparece mais na minha janela àlguns dias
Então eu desci. Correndo. pelas escadas.
Olhei a lua e inevitavelmente fui abduzida por ela.


Será que ela voltou?
A grana não ficou
A lapa me chamou
A lua me roubou
Por que ela não ligou?
O joelho pifou?
O ônibus quebou?
Ela se apaixonou? nãããõooo rsrsrs
Te amo. A ti e aquele abraço de ontem

Menino de out doorS
Menino branco, du bem!
Quando penso em você sinto cheiro de bife de fígado!(isso é mentira)
Você é o lixo mais incomum da minha vida!
Tava lindo ontem de terno e com aquele mulerão do lado!
Você é o dono dos olhos caídos ou eles é que são seus donos?
E os seus cabelos? Eles têm vida própria?
Gosto de ti, querido, pela sua leveza.
Você é o dono da simplicidade e nem sabe.
Toca nela e faz um mundo!
Beijo carinhoso de quem divide palco, daí pra alma é um passo.

"Quando Nietzsche chorou", quando derramou todas as suas lágrimas aqui no meu apartamento...
Que momento! Só faz chover por aqui. Só agora engrenei na leitura, e que presente de empréstimo! Obrigado!
Uma deliciosidade de mistura! Psicanalise e filosofia. Digno de embriaguês.
Sinto frio nas palavras, tremo. Mas nada de agasalhos, faz calor aqui no Rio.
Vem me visitar e sinta de quebra!
Sim, é um convite. Saudade da amiga querida.
saudade do crepe tamanho família, da praia, da fumaça, da cachaça, do xote, do papo reto, da lapa, do que era e não haverá mais de ser, nostalgia e fim de papo.
você não é mais aquilo, e eu como mudei, quantas pauladas.


Era uma vez uma menina que tinha uma valeriana, quando a planta morreu, a menina tomou toda sua alma e virou flor

Amiga querida
Parceira de pelos e longos cabelos
Encontro poesia na sua casa.
Um amor na janela e a lua, uma gata enfaixada que mia na cama, uma dose ou duas de embriaguês.
Felizes encontros!
Você é um presente que Dionísio me deu.
Um brinde ao teatro!
Saravá!



Porra, pára! sai desse processo mal(criativo)dito.
Vamos fumar um cigarro, sei lá, tomar um ar, ver o por do sol...
Porque que as pessoas não entendem que amanhã a gente pode morrer atropelado por um fusca com a lanternagem amassada?
Sai daí dessa incógnita... me tira desse ponto de interrogação...
Quanto tempo a gente não se vê? Nunca mais eu consegui descer uma escada rolante na vida, e pior, nem subir.
Sabe quantas poelágrimasias eu já escrevi nesse tempo e você nem as leu... Foda-se também
Mas que inferno... e a raposa? Ela tava certa... ele sabia disso, por isso se tornou responsável por ela!
Sai daí... vinho... Nani... Lapa... essa semana... telefooone... minha caaasa


Ontem, pós aquele encontro que chovia e eu levava o sol pra me aquecer,
me ocorreu o quanto vc é querido. Li os monólogos que vc escreveu para Dri. O que mais me toca é saber que você escreve sem muito esforço, sem maiores exacerbações. Essa simplicidade me faz curiosa de ti!
Era na próxima que eu devia entrar. Só depois eu entendi pq peguei aquela.


Bruno Gabriel, eu passei só pra dizer que desiti de você!
Eu não te amo mais.
Tá tudo acabado entre nós.
O ursinho de pelúcia que você me deu criou asas e voou pela janela do setimo andar!
Favor jogar fora as cuequinhas que bordei meu nome.
Ah! Você sempre quis saber se era corno... sim, eu te traí com o Gê(raldão).
Por favor não me procura mais.
E aquela sua foto... encruzilhada na certa!





AMOR, Lita



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mensagens vão chegando na plenitude da aura, quando se liberta e deixa fluir
pensamentos que se vão como fu-maçã deixando de existir
processo
pensamento
caracterírticas do voar
e ser


pensamento de vida de lar
salvo de si
em busca de mim
por ti
assim por pensar e ser
diante de ti assim como pensamento de lar
em frente
parado
amém

Razoável

Não, o nada não é necessariamente a ausência do tudo. Enquanto tento me convencer disso, penso na quantidade razoável de xampu antes, durante e depois do banho: alguma coisa (haverá de existir) entre usar todo o frasco e desistir de lavar a cabeça.

eco

Não, uma casa com cachoeira e pôr do sol não te salva do eco. Uma noite de trepada e retrepada também não.
Condenada ao vazio e batizada pela moral, bem vinda, criança, ao mundo

balança

Nessa desmedida entre o sagrado e o profano, acendo um cigarro e deixo que a balança tenda para o lado verdadeiro de mim.

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Se não procurasse tanto por mim,
quem sabe não me encontraria por aí, perdida em alguma esquina fumando um cigarro pensando essas coisas que penso, sentindo essas coisas que sinto e me questionando a respeito de mim no mundo como sempre faço...

Quem sabe assim, me encontraria.

Rio, novembro de 2009

Hola!


Quanto tempo, não é? É ou não é? Já nem sei mais, tanto tempo faz que parece que nunca nos falamos, que nem mesmo nos conhecemos. Engraçado isso, não?






Bem, respondendo sua última carta-e-mail... Desculpa a demora, a Bruninha esteve doente e eu não parei pra respirar entre exames e pediatras e remédios e horários nas madrugadas... estou bem, na medida do meu possível... que é bem diferente do seu, eu sei.






Bem! Estou bem. Mais terráquia impossível, mas bem. Não dá pra transcender, baby. Com crianças não há transcendência. Aquelas nossas idéias... ihhh ficou no passado. Ainda não dá pra largar a capital, o capital e muito menos o capeta. Sinto um cheiro de queimado. Nossa mãe, que medo que dá! Já olhei o fogão, nada.






O Ruanzito tem matado as baratas que aparecem pelo meu caminho. Quem diria... meu filho já é um ser pensante, um cidadão do mundo e até mata as minhas baratas. Às vezes parece que ele é meu pai... ai aquele papo de novo, a busca do elo perdido, do pai subtraído. Quanta psicologia barata! Quanta barata! Meu filho é meu filho e pronto. Lindo que só ele, mas ainda tem aquelas ideias de ser astronauta. Será que os homens não amadurecem nunca? Parece que estou ouvindo sua gargalhada escrachada, dizendo 'não sei, não sou mais homem há muito tempo, cresci baby hahahah' ou então 'porra caraio compra uma astronave pro menino e não torra as necessidades alheias hhahaha' Sinto sua falta e com isso sinto falta de mim também. Eu não sou mais eu, baby, eu sou mãe.






A Bruninha está recuperada, andou resfriada pois fomos à praia 3 dias seguidos no último fim de semana. Ela decidiu que quer ser surfista, baby! Que ironia! Não sei se o problema está no nome que você escolheu ou na genética que eu emprestei. Por falar nisso, juro que depois que eu tirei a cor vermelha dos meu cabelos nunca mais saí com nenhum cara, não por dinheiro. As coisas estão melhores, consegui comprar uns filmes bem antigos de um cinéfilo de São Paulo que faliu e fechou as portas. Foi uma viagem gostosa, choveu, mas chuva gostosa. Fui sozinha... ai como foi bom ficar sozinha!!! Bem, com isso dei um gás retrô na locadora e o público mudou também, claro, né... pessoas interessantes, baby. Você tinha de estar aqui... Tinha nada! Você está aí e isso não é motivo de se lamentar, nem de se mudar. Só de se delirar.






Delírio mesmo, te saber aí, tão longe de mim, tão cachoeira. Você que era tão NovaYork, tão undergraund, tão admirador de cheiradas e cafungadas... agora aí, tão assim verde, levantando a consciência em fumaça, plantando a vida, semeando amor livre e morangos.






Quanta falta você faz, baby! E o Cristóvão? E vocês? Ainda me lembro a impressão estranha que tive dele quando a primeira pergunta que ele me fez era se eu costumava..., bem aquela coisa que você sabe. Eu juro que rezei uma ave maria inteirinha depois de responder que sim, sim, sim, aí então ele ficou mais aliviado. Olhar maduro ele tem, né baby, visão além do alcance, já volta quando ainda nem acordamos quanto menos quando pensamos em ir. Você merece puxar essa corda pra você.






É loucura pedir uma visita, eu sei. Eu vou, baby, eu vou. A Bruninha não fala em outra coisa, quer voltar ai, menina natureza essa minha filha. Tão linda, baby, tão linda. A minha versão tão mais leve e sem culpas, tão menos prática, menos encanada e dona daquela sobrancelha pretinha tão expressiva e persuasiva. Já falei para ela parar com essa mania de hipnotizar as pessoas. Essa menina é meu amuleto. E vai ser uma grande mulher.






E eu? Eu te prometi, baby, que seria mulher! E eu sou... porque quando, aos treze anos, escorreu sangue pela primeira vez pernas abaixo eu decidi que seria mulher de verdade. Mulher completa do começo ao fim, de a a z. Que seria vulgar quando tivesse de ser, sensual, feminina. Que, se fosse para sofrer, sofreria como mulher, com graça e feminilidade. Dor com cheiro de flor. Decidi que seria amada, amante, mãe, louca, crente, medrosa, careta e que usaria brincos, saias e coragem. A partir daí eu abria minhas janelas e pernas em noite de lua cheia e me masturbava sem pressa, mas com o tesão de animal no cio das lobas e com um carinho por mim mesma que eu, naquela idade, nem sabia explicar. Ser mulher é meu mal, meu pesadelo dos piores, o maior presente de Deus e de mim pra mim, e que agora eu tenho e é meu, é ser eu, é mulher ser. Eu nasci pra ser mulher, baby, mas tive raiva de mim às vezes, por não ser homem. Coisa assim que não se explica. E agora eu sei... quando me fiz mãe e o mundo me adotou como tal, fechou-se um ciclo para que outro se iniciasse. Ah baby... eu sou tão feliz ... e estou agora tão plena com o meu mundo... Sempre na corda bamba das relações, sempre me expondo e chegando à beira do precipício. Sem mistério, sem roupa, revelando em palavras e ações fraquezas e deslizes. Enquanto você aí, no seu mistério de pavão. Impecável, escondendo a sete chaves o Kiko e a Chiquinha. É quando eu me calo frente àquela sua pergunta, e um tchau pra depois olá.




Um baby, Beijo!


Um beijo baby.



Atrasada, mais uma vez

Saio sempre tão antes que, mesmo que eu me atrase, sempre chego no maldito horário de mim pra mim. É sempre assim.
Embriaguês de arte. A ponto de quase não se dar conta e aí então nada se faz, ou tudo que é tanto e, por ser tanto, é quase nada mais.
Ouço essa música e não quero mais parar ou esperar. Sinto que estou atrasada de mim.
Qual parte ficou pra trás, me pergunto.
E a cor do abacate me soa tão inspiradora, que só me pergunto porque. Por que?
 Quase já não te quero mais enquanto que acordo sempre com sede da tua água e clamo que me sacie com esse suor amargo de arte manchada.
Ah! Esse tapete felpudo que só uso no inverno... não te troco jamais pela areia dessa tua praia magnética de ondas interrompidas de si próprio, mesmo que seja assim tão meu, tempo, e não saibas.
Atrasada, mais uma vez!
Espero que essa caneta não chame atenção. É mais um documento-denúncia de mim mesma por essas bandas estranhas por onde me meto na hora exata beirando ao pontual.

Escrever

Escrever me parece cada vez mais honesto (1. Casto; pudico.2. Virtuoso; recatado.3. Probo, honrado.4. Conveniente; próprio.5. Razoável, justo.), com o quê, eu não sei. Honesto e pronto. Quanto mais eu escrevo, menos preciso dizer e me calo.
Me agrada ceder tempo (1. Série ininterrupta e eterna de instantes.2. Medida arbitrária da duração das coisas.3. Época determinada.4. Prazo, demora.5. Estação, quadra própria.6. Época (relativamente a certas circunstâncias da vida, ao estado das coisas, aos costumes, às opiniões).7. Estado da atmosfera.8. Por ext. Temporal, tormenta.9. Duração do serviço militar, judicial, docente, etc.10. A época determinada em que se realizou um facto ou existiu uma personagem.11. Vagar, ocasião, oportunidade.12. Gram. Inflexões do verbo que designam com relação à actualidade!atualidade, a época da acção!ação ou do estado.13. Mús. Cada uma das divisões do compasso.14. Poét. Diferentes divisões do verso segundo as sílabas e os acentos tónicos.15. Esgr. Instante preciso do movimento em que se deve efectuar!efetuar uma das suas partes.16. Geol. Época correspondente à formação de uma determinada camada da crusta terrestre.17. Mecân. Quantidade do movimento de um corpo ou sistema de corpos medida pelo movimento de outro corpo.) nessa intimidade (1. Qualidade do que é íntimo, essencial.2. Relações íntimas.) entre mim e o papel, ou qualquer coisa parecida, um pouco mais tecnológica (1. Que pertence às artes em geral.2. Relativo à tecnologia.).Tecnológica. Gosto dessa palavra, se eu tivesse um robô, assim se chamaria, Tecnológica. Penso nas palavras. Renomeio as velhas. Gosto das velhas com novos nomes. Dona Carolina, aos 100 anos, Carolina. Quando era jovem (1. Que ou quem tem pouca idade; qua ainda não é adulto.2. Que ou quem está na juventude. = moço 4. Que existe há pouco tempo. = novo, recente) devia ser a rainha dos nomes difíceis de se guardar.
Por falar em guardar, ando com dificuldade de guardar coisas. A mim também. Não guardo objetos. Não guardo lembranças (1. Acto!Ato mental pelo qual a memória reproduz um facto passado.2. Recordação.3. Apontamento (para auxiliar a memória).4. Alvitre, ideia.5. Presente, dádiva.). Não me guardo. Ando esquecendo o que é bom de se esquecer e o que nem tanto. Não lembro de nenhum exemplo (1. Frase ou palavra citada para apoiar uma definição, uma regra.2. Aquilo que pode ou deve ser imitado.3. Modelo; lição.4. Anexim; rifão.5. Zool. Espécie de crustáceo) agora para citar.
Por isso me dedico a escrever, para não esquecer. Ou para esquecer de  vez e não lembrar mais.

PRISLITA

Minha foto
Um anjo, num sonho, me disse 'não se preocupe em escrever coisas belas, escreva suas putrefações e elas te renovarão'. E com essas palavras, me justifico.