29 de setembro de 2008

A fábula de um amor frustrado

ERA UM AMOR DE BRINQUEDINHO, DOS MAIS USADOS, MALTRATADOS.
ERA UM AMOR DE BOTÕES, DOS DE COMANDO
DESSES DE CONTROLE, DOS REMOTOS
ERA UM AMOR DE SATÉLITE, DOS ARTIFICIAIS, DOS COLOCADOS LÁ
ERA UM AMOR DE DIAMANTE, DOS OFERECIDOS, MAS RECUSADOS
ERA UM AMOR DE COLEIRINHA, DOS POODLES
DESSES DE MADAME, DAS MAIS MIMADAS
ERA UM AMOR QUE NÃO ERA, DOS QUE NÃO AMAM, MAS CARREGAM SEMPRE UMA PLAQUINHA PESADA COM O AVISO:
AMOR ETERNO
MANTENHA DISTÂNCIA

25 de setembro de 2008

Reflexões

Sempre me pergunto quantas vezes
a felicidade,
saltitante e trazendo bombons,
bateu a sua porta,
de dia ou de madrugada,
querendo fazer-se viva, real
porém você,
numa teimosia que dá prazer,
numa insistência de dor boa,
recusou sua entrada,
ferindo o encanto do novo,
na espera de outra felicidade
uma que não chega nunca
uma que é embrião nunca gerado,
morto faz tempo,
e tem uma mãe cega chamada esperança,
mãe que não morre jamais,
a não ser que lhe parem de alimentar.
Enquanto não,
vê-se a imagem macabara de uma imortal
cor amarelada, olhos opacos,
longos cabelos embaraçados
numa cadeira de balanço
ninando o morto embrião
de nome
felicidade utópica.
Sempre me pergunto quantas vezes
e quantas mais haverá
de recusar
*********
******
***
*
Espaço de reflexão mais besta esse tal de blog. Um perigo só. Ainda mais para uma ariana, filha de Oxum DANÇANDO pela 'experiência da perda que proporciona o amadurecimento necessário para futuras entregas amorosas. Conquistas, prazer, conflito, separações, reinícios. Através de MOVIMENTAÇÃO que oscila entre força, dinamismo e leveza, faz reflexões sobre a experiência do amor, no desejo de TRANSCENDÊNCIA nesta que é a mais sublime das aventuras do ser humano'* Um perigo só!
*"Duas ou três coisas sobre o amor" (espetáculo de corpos contemporâneos)

20 de setembro de 2008

Poesia suja!

Numa fome canibal de sabor duvidável, numa tentativa de preenchimento do buraco/febre, cheiro, doença da pior espécie, carência, descontrole, dependência esquizofrênica/te arrancam o pão antes que fosse digerido e então vomitado/sim porque seria vomitado/te arrancam no mais prazeroso e doído deleite do paladar antes que te escorresse esôfago abaixo, antes que te matasse a fome, antes que te provocasse espasmos, antes que ruminasses. Maldita sorte! Que te resta? Poesia suja!

18 de setembro de 2008

O meu ensaio sobre

Fiz uma viagem a um plano inferior. O grande peso de lá era a falta. Faltava um único sentido em unanimidade, a visão ( E tudo então faltou!).
O plano dos que não vêem. (Assim o era!)
Me detive ali na simples observação e estupefata cheguei a imaginar outro plano ainda mais inferior, onde subtrai-se mais um sentido. (Quem ainda insiste em afirmar que não somos selvagens?) imaginei outros mais inferiores onde subtraem-se todos os sentidos. (Quem insiste?)
Em meio aos famintos (por verem-se e que, por isso, devoravam-se a si mesmos e a mim então) pude enxergar um único foco de luz. Uma luz que perdoa. Só porque é o certo a se fazer. O orgasmo da visão então merecido. (Abra bem os seus olhos, pois aqui é rei quem tudo vê). A luz estava nela que pintou seus cabelos de loiro, quase branco, porque as ruivas não sabem nada sobre esse assunto de carne e só, sobre esse assunto de se perdoar e só por isso e tal.
Era possível! Fiquei feliz, mesmo estando alí. A imaginação levou-me agora às alturas, mostrou- me planos onde sentidos sobram. São mais de dez... ou dez e só, cabalisticamente imaginando. Lá, no plano dos que vêem, e voam, a desmaterialização é comum. (Orgasmo da desmatéria)
Lá não confunde-se o sentido do amor.
Lá os comerciais de margarina são reais e poluição nos mares ninguém sabe o que é.
Lá sonha-se com água (Sonhar com AGUA - Limpeza, purificação, corpo e espírito sendo descarregados. Água corrente: todo o mal está sendo levado para longe)
Lá sonha-se, aposta-se até o fim e não desiste-se.

14 de setembro de 2008

_________________________________________________________

Tenho acordado CORAJOSA, dessas que não fica arrastando a merda pelos corredores da casa, ou tentando me afirmar nessa posição e foda-se o resto,

 "Coragem não é exatamente uma qualidade. É apenas um antônimo para covardia. E só uma coisa que te faz abrir a porta e sair pra rua. Sem frescura" (FERNANDA D'UMBRA-linda que só ela).


PORÉM minha amiga não menos corajosa PATTY DIPHUSA tem me procurado e, por incrível que pareça, até ela tem suas recaídas (entre um sexozinho gostoso e outro mais ou menos). Me contou uma delas entre uma dose de Whisky e um copo de ABSINTO e, como o domingo está CHUVOSO, vou relatá-la AQUI:



"... quando chove só consigo lembrar dos dias tristes e qualquer esforço para tentar superar isso me deixa ainda mais deprimida (...)
Hoje calcei umas BOTINAS DE BICO LARGO que comprei em Nova York, na última viagem que fiz junto ao meu ÚLTIMO GRANDE AMOR, do qual ainda estou em processo de DESINTOXICAÇÃO, abstinência.
Aquela foi a nossa última viagem. Compramos um par de botinas cada (Madonna usa umas assim no seu livro SEX: está próxima a uma janela com a luz difusa esvaecendo todas as rugas da cara, apenas os pés cobertos, e mesmo assim, só até os tornozelos.)
A compra dessas botinas foi o único ponto pacífico entre meu namorado e eu durante toda a viagem. Me emocionou lembrar disso, apesar de doloroso. Um dos sintomas que distingue o amor VERdadeiro do passageiro-e-FALso é que, no caso do amor verdadeiro, sentimos falta até dos maus momentos.
De todas as opções, escolho (SEDENTA como sou de novas experiências) a mais SENSATA, ou seja, TIRAR AS BOTINAS e fechar de supetão a torneira das recordações. Mas não basta a decisão, não é tão fácil ser sensata. Tento repentinamente tirar a botina, mas o couro está muito DURO e não consigo.
Apenas as calcei uma única vez, recém compradas em Nova York. De noite, no hotel, não consegui arrancá-las. Tive de pedir ajuda a ele. demorou, mas conseguiu. Que me perdoem as feministas mas os homens nem sempre são tão INÚTEIS. Agora, no entanto, ele não está comigo para ajudar, e, se não for ESPERTA, vou ter de dormir de bota. Talvez estivesse acontecendo a mesma coisa com a Madonna e a pobre estivesse na janela


(depois CONTINUA, tá?)






Batidinhas na porta

O dia foi amanhecendo e eu apaguei a luz pra te sentir melhor
O embrulho encontrava-se ainda preso por barbantes e as flores, de cheiro violeta, murchinhas no canto da varanda.
O sol queria brilhar, a paz queria entrar e tua mão quente ainda adormecia... na minha.
Coisa ainda de se causar estranhamento...
Tua alma não tinha nome... mas teria, e logo. Imaginações de sabor amora... madura.
Tentei esticar uma das pernas enquanto lembrava o som da sua voz.
Dormência é sinal de felicidade dando leves batidinhas a porta, lí num livro de desejos, num muro de rabiscos, na bíblia dos milagres, juro.
O sol invadiu de vez. O calor tomava ares de explosão no meu peito. O Joelho esticava-se com um 'bom dia' e um espreguiçar. Sorrimos sabor pão de queijo e fruta de verão.
Como é que eu explico pra mim essas sensações? O que será que eu vou dizer para mim mesma?
Deixei pra lá. Ainda faltava muito tempo de ponteiros para encontrar-me comigo mesma.
Preguiça boa de se dormir de novo.

13 de setembro de 2008

O BOM versus O BOMESMO no período de estiada típica de inverno

O BOM é ter essa liberdade de ouvir só a música que eu quero, o bom é me olhar no espelho e me sentir a mais linda e corajosa do planeta dos disponíveis pro universo. O bom é ver que a lua me escolhe sempre que está cheia... O bom é ver a maré subindo! Como é bom!
O bom é abrir a porta de manhã e sair de casa com as mãos sujas de tinta colorida e um sorriso de quem tem um mundo de possibilidades. O bom é esse sorrisinho no rosto de quem flutua em núvens e nutre segredos inimagináveis.
O bom é pensar na cor da geladeira nova e na pintura que talvez se dê na porta. Isso é bom, bom, bom. Morrer de rir de uma piadinha cruel é bom.
O bom é jogar os dados no tabuleiro do 'Jogo da Vida', escalar o Evereste e sair pra dançar um xote coladinho.
É bom de manhã molhar as plantas pensando se adota uma gata ou um cachorro numa dessas andanças por aí.
ENTRETANTO O BOM MESMO... o bom pra uma ariana... o bom de emoção, de explosão... é quando as músicas são de se rasgar o peito, o bom mesmo é ver as olheiras no espelho de quem chora e adora. O bom mesmo é nem chegar na janela recusando o chamado da Lua que é só sua. O bom mesmo é não sair de casa só pra escrever um poema de dor, não ter vontade de colocar as bananas já maduras na geladeira. Ai, isso é o maldito bom!
O bom mesmo pra rosa que brota vermelha desde o início é andar de metrô sentada no chão e ter vontade de descer na estação do estácio.
O bom de se liberar adrenalina e se sentir a louca do mundo é ler a 'Gota d'água' e brincar de Bibi.
O bom mesmo, o bom doído, o bom que satisfaz é se entorpecer acreditando que felicidade é um comercial de margarina mas, no teste de elenco, descobrir que não se tem o perfil para esse tipo de amor.
Isso é realmente (doído e) bom!

12 de setembro de 2008

cArne e pApel

Sou eu um somatório de passado presente futuro
Ódio, quando não, perdão
Sou eu minha vó, meu pai, meu sobrinho
Sou eu o Libano e suas pedras, o Nordeste e seu chão
Sou eu estrelas de luz ou apagadas, sol em desalinho
Sou eu planos de futuro, rastros do hoje e antepassados de genética
Sou eu começo meio e fim
Carne e papel em mim

11 de setembro de 2008

Sou o melhor da turma!

Pulando amarelinha com a vida alheia! Quem nunca fez? Quem nunca destruiu algumas células, nunca deixou sequelas? Quantas bolinhas de gude na cabeça... Quantas porradas na testa. Amadurecimento?
Brincar com crianças no quintal do coração..."Se fode aí, tia"... é mais perigoso que estar numa rua deserta de filme de terror com um 'fiel' amigo que pretende te esfaquear a qualquer bocejo.
Crianças que não sabem brincar, mas descem pro play. Não sabem jogar, mas querem vivência sádica, querem porrada, precisam aprender, absorver e vão por aí, pulando amarelinha e fodendo o coleguinha.
Criança é um bicho cruel mesmo, te arranca as asinhas pois não pode voar, te amarra latas ao rabo sem nem saber quantas vidas ainda tem, te miram na cara e acertam no caração. "Yes! Sou o melhor!"

10 de setembro de 2008

Amém!

Andava eu tão definida e certa pela estrada desse ano.
Mudanças repentinas doídas e de renovação.
Qual será o caminho, a nova jornada?
Como Alice no país das maravilhas, tinha uma pedra renal no meio do caminho...
Nada de forçar situações, nunca mais!
Eu e só. O mundo me abre seus braços e, enquanto fecho as portas, cresço e apareço.
Livre e presa por um trago de cigarro.
Livre e presa pela vontade dos Deuses.
Livre e presa pelo destino traçado. Qual será? Que decisões andei tomando antes de encarnar?
Que planos andei traçando antes de nascer? Era com você?
Quais de-FEITOS superar? Quais tarefas cumprir?
Maldita viagem abençoada, missões... secretas até pra mim.
Livre arbítrio de cu é rola! Quero nadar na linha e cumprir o não-FEITO.
A arte já estava? Ou é coisa nova?
Alma gêmea? Nenhuma a vista, nem tão pouco a prazo. Tô pagando pra ver.
Família? Tarefinha difícil essa!
Um NÃO à desistência.
Vamos em frente que atrás vem um bando de malucos desorientados e perdidos.
Amém!

4 de setembro de 2008

...

Apesar desse comprimido, tipo rolo compressor, que me comprime a garGanta... apesar dele, consigo observar os diversos pés que caminham pelo mundo. Existem pés dos grandes, dos pequenos, com dedos enormes ou tortos, cores exóticas de unhas, unhas roxas topadas, amarelas coradas. Existem pés feios em belas pessoas e pessoas belas sem pés. Existem pés que caminham sem os donos, os que se arrastam, os que respiram e os que choram. Existem pés velhos calejados, pezinhos sem comentários, pé de criança, pé de mulher, pé de muleque.
No ônibus, apesar do comprimido entalado (bebe água que desce!), posso observar os diferentes pés. Uma diversão. Algo para se fazer com o tempo que me sobra não sei porque, o tempo que não se preenche por sí só, com leituras ou músicas, com beijos ou abraços, com cores das dores, das lágrimas. É o tempo de pés, de observar pés. Gosto deles. Teorizo.
Que garantia tenho de que as minhas alucinações são irreais e esquizofrênicas? Elas começam por baixo. Quando sobem, me deleito. Coisa de pirar as velhinhas que sentam nas janelas pelo vento que lhes falta, ar. Barulho do urbano, pé cansado de andar.