7 de setembro de 2009

Qualquer um pode amar, mas só os hipócritas vivem felizes para sempre

Minhas horas mortas são suas.
Esse meu ócio é todo seu.
Você é meu quanto cheio, meu quando.
Pedaço de mim, meu braço.
Parcela do que não pude ser, homem.
Minha liberdade, parcela de prisão, arte.
Minha força bruta.
Minha lembrança, falta de memória.
Minha parcela árvore.
Te fertilizo hoje, e amanhã, só paixão.
Brutalidade de amar na mistura dos seres.

(Brutalidade de amar. Sempre. vida de Grandes amores. Inspiração. Coração que ama mais que os outros. Rins que param de filtar o amor. Entope Dor maior. Bruta violência de vida que engalfinha desde que nasce até quando morre... de amar)

E fez-se a espera, que era dELA.
Quando não pôde mais
tornou-se aberta, flor de mulher.
Quando não pôde mais, fez-se outra, a de antes.
E fez-se a espera, que era dela, até que,
Lúcida sobre a felicidade impossível,
invisível,
felicidade do 'jamais será pleno',
Tornou-se flor e, sem moral nem pudor, desabrochou.
Tornou-se flor, na sua espera conturbada de um mar vermelho.
Por entre as ondas e a praia
Tornou-se flor e desabrochou
(A consciência do 'nada mais se salvará' sempre esteve presente. E, só por causa dela, nada mesmo se salvou. Na ironia do tempo, do indiscutível, foi-se no rodamoinho mais uma vez aquela utopia. Perdem-se nele os dedos, os anéis, a nossa busca horizontal pelo que transcende na dinâmica da fissura; perde-se então o cheiro do rasgar do tempo, da medida exata.Perdem-se o inexato, o inexplicável. Perde-se a luta da inatividade com a inativação. Perdem-se o tema, o teorema. Perde-se o Enem, perde-se a hora. Reprova-se no teste do destino que apavora.)
Na ironia de Chronus, o big irmão assiste e ri.
Purifica-se a falha na combustão da catarse.
Um segundo errado no tempo de decisão. Impulso.
É quando se perde o controle do destino que te escorre das mãos

(Não me esforço por ser hipócrita, desabrocho em fedor de puta rampeira. E, sem cuidado algum, revelo a podridão que há em mim e te esfaquio como se não escorresse sangue pra limpar. Qualquer um pode amar, mas só os hipócritas vivem felizes para sempre.)

Um comentário:

  1. lita querida
    pessoas como você deviam dar em árvores...
    parabéns!

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