_ Oi meu pai ( não te resta mais um fio de cabelo preto a espera de embranquecer)
_ Minha filha! Achei que não viesse esse fim de semana!
_ Senti sua falta ( é só o que sinto desde que percebi que nunca tive importância para você. Isso foi aos cinco anos)
_ Sua visita é muito importante para mim (eu te amo)
_ É por isso que você não vem morar comigo? (Deixe-me dar-te o cuidado que você nunca me deu)
_ O brigada pelo cuidado, mas gosto daqui (lembro-me que te pedi que voltasse para casa logo depois da sua segunda separação. casamentos fracassados. todos. Você não quis)
_ Pai, tem um quarto pra você lá em casa. (eu te amo)
_ Não! (não quero ficar no seu controle nem ao menos servir de referência masculina a seus filhos sem pai)
_ Pai, lá você pode fazer o que quiser. Sem contar que os meninos ficariam tão felizes (velho orgulhoso!)
_ Não (não suporto a sua vida desregrada) Preciso entrar, já vão servir o almoço.
_ Lá você não teria hora pra almoçar
_ ... (Gosto de ter hora pra almoçar)
27 de agosto de 2008
26 de agosto de 2008
Em busca de
Quando o verbo SER não concorda com o sujeito, ainda sim vai concordar com o predicativo dele, sempe ligando o ente a sí mesmo. O verbo SER é a macaxeira da linguagem (e do resto principalmente)
Sem liga não se tem o bolinho de aipim, ou seja, antes do TER, verbo capitalista, verbo que compra, verbo que enriquece e rege a cultura ocidental, é preciso SER, vebo que alimenta, que define. Começa aí uma longa jornada a procura do ente eu.
Sem liga não se tem o bolinho de aipim, ou seja, antes do TER, verbo capitalista, verbo que compra, verbo que enriquece e rege a cultura ocidental, é preciso SER, vebo que alimenta, que define. Começa aí uma longa jornada a procura do ente eu.
14 de agosto de 2008
absurdo.do
Emergência onde ferve a burguesia.
_ Sr. Mauro!
Droguinha na veia. Booommm. Bom e ruim
O professor de história, lindo porém calvo (defeito de calvície), bom de papo. Náuseas, corre ao banheiro.
Medo de agulha?
Se tem uma coisa que eu gosto é o defeito das pessoas
_ Sr. Mauro, por favor! Algum de vocês chama-se Mauro?
Dor (defeito meu)
A enfermeira de blush rosado, sapato de salto, cabelo esticado e boca cintilante repete com a seringa, agulha brilhantando na mão: _ Sr. Mauro!
E o professor historiador interrompe o papo sobre a triste história do atendimento médico:
_ Esse aí fugiu... Você é atriz? (defeito?)
Passa a louca com o carrinho barulhento recheado de instrumentos de tortura.
Absurdo. teatro do. Prato cheio pra Ionesco
_ Sr. Mauro!
Droguinha na veia. Booommm. Bom e ruim
O professor de história, lindo porém calvo (defeito de calvície), bom de papo. Náuseas, corre ao banheiro.
Medo de agulha?
Se tem uma coisa que eu gosto é o defeito das pessoas
_ Sr. Mauro, por favor! Algum de vocês chama-se Mauro?
Dor (defeito meu)
A enfermeira de blush rosado, sapato de salto, cabelo esticado e boca cintilante repete com a seringa, agulha brilhantando na mão: _ Sr. Mauro!
E o professor historiador interrompe o papo sobre a triste história do atendimento médico:
_ Esse aí fugiu... Você é atriz? (defeito?)
Passa a louca com o carrinho barulhento recheado de instrumentos de tortura.
Absurdo. teatro do. Prato cheio pra Ionesco
12 de agosto de 2008
Andei pensando que...
O bom mesmo é se apaixonar a cada estação do ano
A cada madrugada
A cada ponto de ônibus
A cada boteco diferente, a cada tacada
O bom mesmo é se apaixonar
É esse poder que a Rita tem
de ler um livro diferente
toda vez e sempre
E quando se vai, deixa saudade,
nenhum tostão porque nem tem, saudade.
litinha
Às vezes quando a gente ganha, a gente perde.... e quando perde... ganha
Acordei, além de livre, pensando naquela troca de suores, lágrimas e orgasmos. Essa vida é muito doida e linda. A vida é um filme e o final feliz é a gente quem faz. Foi eterno o pouco que durou e o que a gente pode dizer pelo olhar... é que valeu. Bj, querido.
(Na vida e no amor, não temos garantias, JABOR) Que bom! Tá aí a magia!
9 de agosto de 2008
_________________________________________________________
Acordar sendo parte da natureza. Corpo de integração. Com o vento. Com o mar. Com o outro.
Era seu plano. Virar árvore seria bom... hum sentir vento de balançar. Mas o top top dos sonhos de mulher num corpo de menina era acordar pássaro....Ahhh sentir vento de voar.
A verdadeira evolução, tornar-se voador. Liberdade não pensada, não racionalizada.
Caminhou na praia logo cedinho. Vontade de rir a toa. Ser mar também seria bom, peixe... Felicidadezinha boa, coisa de se amar e só. Paz. Tentava se comunicar com os pássaros no vento, mas eles pareciam não dar atenção. Deviam ter medo. Medo de perder suas asas.
Na volta pra casa um ser da mesma espécie resolve dar-lhe seu oi. Um oi de vida, de novas possibidades. Quanta falta de comunicação, pensaram os pássaros.
Deitados na areia, olhos no céu, pouca coisa pra dizer, nada por falar. Sem contarem os mistérios de seu peito... sem contarem sobre o mar... tanta vida por viver, tantos passos a dar. Corpo de integração. Com o vento. Com os pássaros. Com o mar.
8 de agosto de 2008
Eu, parasita
Menina linda hoje pensei em você com uma saudade amarga de pecevejo.
Juro que quando me plantei no coração seu, manipulando o amor por tanto tempo, também fui vítima. Vítima da carência.
(Só não sabia que colheria uma fruta podre na estação da colheita. É plantando que se colhe!)
Encontros marcados pro futuro, cineminha no meio da aula, músicas, flores e chandon, olhares de amor mentiroso, poesia em folha de caderno, telefonemas desesperados, cafezinho e cigarro... como era doce a sua companhia... seu amor me alimentava, e eu sugava teu seio até que o leite secasse para minar mais uma vez. Quanta dor te causava. Mordia e assoprava. Eu, parasita de ti, sempre me esquecia de te contar a verdade sobre mim: eu não te amei. Demostrei, mas não amei.
Seus olhos, tão lindos, pediam a ilusão... e eu te dava. Teu corpo inteiro pedia, sua esperança quase imortal pedia cada uma daquelas ilusões... e eu te dava. Eu, serpente, te entregava a maçã... Você podia não comer, mas você devorava. Toda a minha sinceridade mergulhava água abaixo... Todo meu corpo mergulhava na mentira.
Aquele dia na padaria eu já não tinha mais controle da situação. Lembro que você pagou o meu bolo de chocolate. A mulher do caixa viu sua lágrima pelo vidro. Era amargo, o chocolate.
Às vezes eu achava que te amava. Quando você se interessava por alguém, eu era tomada pelo medo do escuro, um pavor. Você sabia. Tão linda você ficava quando era amada... Uma princesa encantada nascida para dar amor! Eu afastava cada coraçãozinho que se aproximava de você. Eu fazia isso só com o olhar. Como eu fui vil! O monstro do armário era eu.
Às vezes, só às vezes, eu achava que te amava. Mas o que eu amava mesmo era o meu poder de manipulação. Era um gozo cada vez que você falava do seu amor por mim, um amor abandonado, atropelado pela minha vaidade. Nossa, quanto prazer me dava!
Alguns amigos se afastaram, eu não entendia porque eles me julgavam se minha companhia te fazia tão bem. Se eu era 'tudo de melhor para você'. Era o que você me dizia enquanto me amamentava.
Adiei a sua felicidade e perdi sua amizade. Seu amor de chocolate ao leite virou ódio tipo amargo .
Já não lembro a data do nosso encontro no futuro, a hora... Só sei que era Paris!
Quando eu for, espero não te encontrar. Que sejas feliz!
6 de agosto de 2008
Camille Vendaval Vai ao Mercado, Na Niqueleira Vários Coraçõeszinhos De Papel Camurça

(coloca a mão dele em seu coração) Ta sentindo? Com você eu me sinto como uma onda imensa que vai te afogar... O que sinto por você não vem em conta gotas não. É enchente. Vendaval. Furacão e o escarcéu. É essa coisa doida que sai devastando a gente... Essa coisa que desorienta, desnorteia... Você é febre... Você é um gosto que não sai da boca... É câncer, câncer bom, que toma o corpo todo, que não tem cura... Um câncer lindo...Você é lindo... Com seus olhinhos... Com seu sorriso... Lindo quando reclama, lindo quando fica sem saber o que dizer, lindo quando bagunça o cabelo, lindo enquanto fala, lindo...lindo... Você roubou a minha alma...
(silencio entre os dois.)
(beijam-se calorosamente)
(silencio entre os dois.)
(beijam-se calorosamente)
Texto: Fragmento de CACHORRO! de Jô Bilac (um pervertido textual)
Imagem: Escultura de Camille Claudel (um mártir do amor. Camil, louca de pedra, louca de entrega)
Colagem: Lita Sahun (sim, foi bem nesse espírito de exagero sacudido que eu acordei hoje. Logo cedo fui ao mercado com minha calça vermelha de paetês dourados, descalça nos pés e no tronco. No pescoço, cachecol, porque ainda faz um pouco de frio n'alma. Reparei que as pessoas me olharam por dentro e se assustaram. Eu ri. hahahahaha. Adoro a vida, o amor e a dor)
Expulsos do Édem
A serpente é vaidosa, e por isso, vil.
Mas a culpa não foi da serpente nem da vaidade dela.
Eva é a incerteza em pessoa, e por isso, caiu
A serpente é vaidosa, e por isso, vil.
E agora? Banca?
Não. Já tem o que conseguiu
A Serpente é vaidosa, e por isso, vil.
Mas a culpa não foi da serpente nem da vaidade dela.
Pelo sabor da maçã, eva caiu
Mas a culpa não foi da serpente nem da vaidade dela.
Eva é a incerteza em pessoa, e por isso, caiu
A serpente é vaidosa, e por isso, vil.
E agora? Banca?
Não. Já tem o que conseguiu
A Serpente é vaidosa, e por isso, vil.
Mas a culpa não foi da serpente nem da vaidade dela.
Pelo sabor da maçã, eva caiu
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