30 de outubro de 2008

apaga a Luz

Te amo sem nem sentir
Te fechei na página errada
Data inadequada
Irreprimível medo de não dizer nada
Apaga a luz...
porque te amo a cada piscar de olhos
a cada gemido mal dado
a cada lágrima interna
a cada beijo abafado
Eu te amo no passado encerrado
no eterno inacabado

29 de outubro de 2008

Um monólogo de amor

A minha melhor companhia

Não, não tenta entender... Eu também não sei o porquê de eu estar aqui, assim... de pijama e capacete, a uma hora dessas. Acho que foi a lua me trouxe... rs
Eu não tava bem, Júlia. Não conseguia dormir. Meu apartamento parecia ter aumentado de tamanho, senti um vazio... acho que era dentro de mim. Eu tava andando de um lado pro outro... até acendi um cigarro... daqueles que você deixou lá...
A lua. Você viu a lua? (pausa) Claro que você viu a lua, as mulheres sempre vêem a lua... Quando eu cheguei na janela, Júlia, e vi aquela lua eu entendi tudo.
O que eu quero dizer é que... eu não quero mais olhar a lua... se você não tiver do meu lado...
Não, não... eu não quero apressar as coisas... eu não quero que você pense que... eu não quero forçar nada...
Mas, Júlia, o que eu queria te dizer é que... você tem sido a minha melhor companhia nessas últimas semanas e... eu não podia esperar até amanhã pra te dizer isso.Por isso subi na moto daquele jeito, passei direto por todos os sinais vermelhos, por pouco não atropelei um entregador de jornal, quase fui mordido por um cachorro quando roubei essa flor, e assustei o seu porteiro que acordou com a buzina... ele deve tá me odiando rs
Na verdade, eu tenho vontade de gritar Júlia, eu tenho vontade de acordar todos os seus vizinhos. Eu tenho vontade de dizer que eu gosto de você, que eu tenho tido vontade de roer as unhas quando eu penso em nós dois, que eu tenho sonhado com você todas as noites e que quando eu acordo a casa toda toda tem o seu cheiro.
Calma? Como que posso ter calma? É difícil, pra mim, falar sobre essas coisas. Acho que eu nunca falei de amor antes...
Amor? Eu falei amor? (pausa) Sim, eu falei amor. Foi por isso que eu vim aqui, foi por isso que a lua me trouxe.
Eu precisava te dizer... que meu corpo inteiro está tomado de amor por você.
Não. Não precisa me dizer nada, eu só espero que você me convide pra entrar e me deixe te amar até o amanhecer.

Lita Sahun
* Para o meu irmãozinho, Yves Glen. Que te dê sorte nessa jornada. Te amo!

26 de outubro de 2008

do Amor, a deusa


Quando você achava que estava tudo bem, que conseguiria viver sem amar, sem amor, sem doar, sem sofrer... que não teria problemas maiores que os financeiros, que seguiria sua vida sem nunca precisar "discutir a relação" ou "conhecer a família da..." Sim, você. Foi você o sorteado da vez.
O prêmio? ELA. Ela, que é uma mistura de Eva e serpente e maçã, de Mme Bovary e álcool e veneno, de Julieta e segredo e sonífero e punhal. Ela, que te suga, te consome, te enebria, te vicia. Uma droga!
Ela chegou sem fazer nenhum alarde e te fez simplesmente um nada. Um nada no melhor sentido da palavra: um entregue, um "total disponível", um "sem escolha", um carente, um "alegre". Te fez medroso e corajoso. Te mostrou como se rega a rosa do jardim. Te fez babaca e piegas. Te ensinou a amar.
Começou amando. Simples assim. Ela te amou... Te olhava com quem admira, te comia como quem bem degusta. Ela amava sem questionar, sem duvidar, titubear. Ela amava sem jogar. Simplesmente amava, sem reservas ou pudores, sem conceitos ou preconceitos. Ela fazia tudo isso com encanto de sereia (das mais perigosas), de bailarina, de estrela perdida...de atriz... uma deusa!
E aí, você, que está ciente de todos os seus lamentáveis e insuportáveis defeitos, de todas as suas terríveis manias, da tua cara de mané quando sai às seis horas da manhã para ir ao escritório de contabilidade... Você se pergunta: Eu mereço tudo isso? Eu contribuí com algum bom feito pro mundo? Não! Você foi sorteado. Simples assim. E esteja ciente da sua sorte: Isso não acontece com qualquer um.
Ela não tem sexo nem idade. Ah não! É feita de amor... e espontaneidade. Mas atenção: Ela grita, chora, diz o que quer e coisas sem sentido (só pra você, jamais pra ela), magoa-se com facilidade, é impulsiva e... Conclusão: Ela te encanta.
E o cheiro dela? O cheiro dela é daqueles que te arrastam pela mão e te levam. Você? Vai.
Nessa viagem, ela te torna tão tua, ela te faz tão dela que agora você não tem mais saída, já está entregue, já depende do sorriso dela e do ar quente que ela deixa quando passa.
Mas um dia (um desses malditos, de céu cinza e mal humorado. Um dia de trevas), ela some, vira mito (algumas delas nem bilhete deixam). Exatamente, meu caro, Afrodite nem sempre pode ficar. Geralmente esse tipo de anjo está só de passagem. Elas têm a função de propagar o amor. Simples assim. Te ensinam a doar-se, a render-se, a entregar-se. Elas te ensinam a viver.

24 de outubro de 2008

tum tum tum

_ Quem era?
_ Não sei.
_ Não sabe?
_ Não. Foi engano...
_ Engano?
_ Sim. Nada do que foi dito era real. Nada do que foi sentido, verdadeiro. miragem de Oásis. Simples impressão. Coisa que dá e passa. Ilusão
_ Mas você ficou mais de um ano nesse telefone.
_ Era engano. Eu me enganava e acreditava. Sorria e chorava. Um ciclo natural (ou sobre-).
_ Não era só uma ligação?
_ Só? Não. Não conheço o pouco. Cavo um poço, dos profundos, a cada nova ligação. Busco diamantes, uivo pra lua sempre que bate meia noite...
_ Devia parar de atender telefones. Pode ser perigoso.
_ Sim. tenho evitado.

11 de outubro de 2008

*

Quando minha nuca sentiu que sua presença se fazia, um touro, peito meu a dentro, explodia a cada pulsar de tum tum tum. Quando minhas costas te viram, espinha ereta, sons de maldita abstração cega para o tímpano direito. Poros, cada um deles, atentos nessa coisa de corrente sanguínea na maré cheia que vai e vem e chuá, circula e jorra vermelho. Corpo de poeta que desenha no papel do mundo denunciando cada estado desse de metáforas sentidas, que arrepiam do cotovelo ao nariz. Pupilas que dilatam, lábios entre-abrem-se e incham tamanha quantidade do sangue de maré alta e tensão e tesão e saudade. Nozinho na garganta amarrado pela coisa que só fez decepcionar. Tonteira, febre alta de espasmos de amor. Água gelada e peteleco na tampinha da garrafa!

1 de outubro de 2008

*

O mármore dessas escadas está gasto bem próximo ao corrimão e é bom sentir que cada vez que passo aqui contribuo nessa anti-evolução, nessa gastura, nesse decompor-se da pedra.
Um tempo que se esvai em chuvas de verão, ou em flores de primavera chorona... tempo que não volta assim tão fácil, volta difícil no filme do pensar, do olhar pra trás.
Cheiro de adolescência, já que a vida quis assim! "Você me sorriu, lá se foi minha coragem".
Ah... aquele maldito frio de figurino que apertou start num coração que explode de barulho e pow!
O que me sobra de paixão e inspiração, me falta de resto então.
Um gato que peludo descansa branco na minha cama anuncia o demais, o mais, o além e vai.
Feliz até demais, algo de se desconfiar, sigo de sapatilhas nas pontas de cuidado com a fera que dorme. Ela que berra e se lembrada, pow!
Mas que belezura aí pelo mundo... Quem acredita que partida? Carrega-se a fera, devora-se a si mesma... e sorri. Que beleza de mulher!
Mas que belezura aí pelo mundo... Quem acredita? Denuncia-se ao subir com essa frequenciazinha as escadas gastas de pedra e corrimão, sorrizão.
Rega as rosinhas do jardim, depois de arrancar, dedinhos, cada um daqueles espinhos que nascem escondidinhos sem fim, que vem e vem.
Um barquinho se aproxima antes que se possa fechar olhinhos de dormir. Hummm espreguiça-se menina e fim.